ANACOM reúne com autarcas de Coruche para debater qualidade das comunicações


A ANACOM esteve hoje, 13 de janeiro de 2022, numa sessão com autarcas em Coruche para apresentar os resultados do estudo de qualidade de serviço das redes móveis 2G, 3G e 4Ghttps://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1713995, no concelho, e dar informação sobre o projeto de cobertura de todo o País com banda larga e informação sobre a consulta pública que está em curso. A apresentação foi feita à Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coruche, Fátima Galhardo, aos membros do executivo camarário, aos presidentes das seis juntas de freguesia do concelho e à comunicação social local.

O estudo de qualidade das redes móveis foi apresentado pelo Diretor-Geral de Supervisão da ANACOM, Vitor Rabuge. Na sessão, a Administradora da ANACOM, Patrícia Silva Gonçalves, explicou aos presentes o que está em causa na consulta pública sobre as zonas brancas, que visa a sua identificação, de modo a assegurar a cobertura do País com redes de banda larga de fibra ótica, assegurando que toda a população tem acesso a estas redes.

Deu nota que no concelho de Coruche todas as freguesias, com exceção da freguesia de Biscainho, têm áreas brancas e, por consequência, alojamentos sem cobertura de Internet de banda larga.

Apelou à participação na consulta públicahttps://www.anacom.pt/render.jsp?categoryId=422664, cujos contributos devem ser enviados para a ANACOM preferencialmente através de correio eletrónico para o endereço lg.coberturas@anacom.ptmailto:lg.coberturas@anacom.pt.

O Presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, explicou que o cenário de que se parte para esta consulta pública é um cenário base. «Agora é preciso ver se não existem outras falhas além das que estão identificadas à partida» e os contributos dados na consulta podem ajudar nessa identificação.

João Cadete de Matos deu ainda nota que esta consulta pública se refere à cobertura do território nacional com redes de banda larga fixa, e recordou que no recente Leilão do 5G as regras da ANACOM procuraram acautelar que a cobertura das redes móveis de alta velocidade, que abrangerão 75% da população de cada freguesia, e 90% da população em 2025. Recordou que o objetivo do Leilão não foi privilegiar a receita, apesar de a receita obtida ter sido muito elevada – mais do que duplicou o preço base – mas sim as obrigações de cobertura, a obrigação de investimento. Referiu ainda que nas zonas mais isoladas, o satélite pode ser uma alternativa para ter acesso à internet.

O objetivo «é não deixar ninguém para trás, é que todos possam ter acesso, para poderem estudar ou trabalhar», disse.

Referiu ainda que entrarão novos operadores no mercado, havendo a expectativa que por esse facto a concorrência no mercado aumente, levando a uma redução de preços e a uma melhoria das ofertas.

Tanto a Vice-Presidente da Câmara de Coruche, como os presidentes de Junta, deram conta dos problemas existentes nas comunicações e do impacto negativo que isso tem para as populações e para o desenvolvimento do concelho. O roaming nacional foi apontado como uma solução que permitiria mitigar estas dificuldades.

O impacto dos incêndios nas redes de telecomunicações e as demoras na reposição dos serviços, por essa ou outras razões foram outros dos temas suscitados pelos autarcas. Foi ainda esclarecido que quando não é prestado o serviço, o mesmo não tem de ser pago.

Coruche com problemas de cobertura de voz e dados

A ANACOM levou a cabo um estudo de qualidade de serviço das redes móveis de 2G, 3G e 4G no concelho de Coruche, para avaliar o desempenho dos serviços e verificar os níveis de cobertura radioelétrica dos sistemas de comunicações móveis dos operadores MEO, NOS e Vodafone.

O trabalho de campo para a realização do estudo, decorreu entre 22 e 25 de novembro de 2021. As equipas da ANACOM percorreram cerca de 558 quilómetros, realizadas 1269 chamadas de voz, 306 testes de velocidade da ligação à Internet e mais de 100 mil registos de sinal rádio, explicou Vitor Rabuge, Diretor-Geral de Supervisão da ANACOM.

Neste estudo, solicitado pelo Município de Coruche, foram analisados os principais indicadores de qualidade, tendo em conta a perspetiva do utilizador. Os resultados mostram que:

  • no que respeita à cobertura, em 11% dos valores registados a qualidade é “Inexistente” ou “Muito Má” ou “Má” (em que a contribuição para este valor por operador é de: 42%, no caso da NOS; 30% no caso da MEO; 29% no caso da Vodafone);
  • no serviço de voz, os desempenhos apresentam resultados quanto à acessibilidade (estabelecimento de chamada) de 91% para a Vodafone, 88% para a NOS e 86% para a MEO, ou seja, em termos globais não foi possível estabelecer chamadas de voz em 12% das tentativas de chamada. E nos casos em que foi possível estabelecer chamadas, observou-se que em 4% deles não foi possível concluí-las com sucesso;
  • O rácio de terminação bem-sucedida de chamadas (as que se concretizaram e se realizaram até ao fim) foi de 88%, para a Vodafone, 87% para a NOS e de 79% para a MEO.
  • em termos globais, isto significa que, considerando as chamadas falhadas no estabelecimento e/ou durante a conversação, cerca de 16% das tentativas de chamadas de voz não foram concretizadas.
  • no serviço de dados (Internet móvel), os resultados revelam falhas, evidenciando que este serviço é fraco em alguns locais, com baixas velocidades de transferência de dados. A taxa de sucesso de testes de NET.mede (testes iniciados e concluídos) foi de 80%, 76% e 62% respetivamente, para Vodafone, MEO e NOS, ou seja, globalmente em 27% dos casos não foi possível concluir os testes de velocidade de Internet, normalmente devido a falta ou fraco de sinal de rede, ou a tecnologia de baixo débito binário (2G EDGE).
  • as velocidades médias de transferência de dados em download e upload foram, respetivamente, de 33 e 10 Mbps, na MEO, 27 e 13 Mbps, na Vodafone, e 23 e 9 Mbps, na NOS, sendo de destacar a existência de grande variação dos valores observados, fortemente dependente dos locais onde foram realizados os testes.

Na Tabela 1 é indicada a classificação do desempenho dos operadores para cada serviço:

Tabela 1 – Síntese da avaliação resultados

Tabela 1 - Síntese da avaliação resultados

Caso já existissem acordos de “Roaming Nacional” em Portugal (permitindo que os clientes de qualquer um dos operadores se pudesse conectar à estação base de outro operador quando a qualidade de sinal de rede do seu operador não fosse aceitável) teríamos uma cobertura agregada de mais qualidade no concelho de Coruche, como é bem evidenciado na figura abaixo

Figura 1 – Cobertura Móvel agregada

Figura 1 - Cobertura Móvel agregada

Momento da reunião no Município de Coruche. Da esquerda para a direita: Patricia Silva Gonçalves, Administradora da ANACOM, João Cadete de Matos, Presidente da ANACOM, Fátima Galhardo, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coruche, Vitor Rabuge, Diretor-Geral de Supervisão da ANACOM

Momento da reunião no Município de Coruche. Da esquerda para a direita: Patricia Silva Gonçalves, Administradora da ANACOM, João Cadete de Matos, Presidente da ANACOM; Fátima Galhardo, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coruche; Vitor Rabuge, Diretor-Geral de Supervisão da ANACOM